segunda-feira, 5 de setembro de 2011

XVII Encontro de Veículos Antigos e Fora de Série da Cidade do Aço – Volta Redonda - RJ

O Clube de Antiguidades Automotivas de Volta Redonda, realizada nos dias 9, 10 e 11 de setembro o XVII Encontro de Veículos Antigos e Fora de Série da Cidade do Aço.
Como já é tradicional, o encontro acontece na famosa Ilha São João, um pavilhão de múltiplas atividades, com área coberta de 5 mil metros quadrados, que sedia os principais eventos da cidade. O local é ideal para automóveis antigos, que ficam abrigados da chuva em caso de mal tempo e propicia conforto aos visitantes. Além disso, possui 800 metros quadrados destinados à feira de peças, acessórios, miniaturas e outros produtos de interesse do antigomobilista.

13º Encontro Nacional de Veículos Antigos e 8º Encontro de Hot e Street - Barbacena, MG

Chevrolet. Essa foi a marca que mais se fez presente no 13º Encontro Nacional de Veículos Antigos de Barbacena – MG, que aconteceu no último final de semana, dias 27 e 28 de agosto, na seda da APEC. Apenas uma feliz coincidência, mas que bem que poderia ser uma justa homenagem à marca norte-americana da gravatinha azul, que este ano está completando um século.

Só os Chevys importados foram cerca de 20, fabricados entre os anos de 1946 e 1980. Sem falar nos "tupiniquins", com alguns Chevettes e grande números de Opalas, com exemplares fabricados de 1969 a 1992. Sem dúvida, é um dos mais populares modelos já fabricados no Brasil, só perdendo em número de clubes especializados para o Fusca.

V ENCONTRO REGIONAL DE AUTOS ANTIGOS DE CONSELHEIRO LAFAIETE - MG

Acontece no próximo domingo, 11 de setembro, na Praça da Rodoviária, o V Encontro Regional de Autos Antigos de Conselheiro Lafaiete-MG.

COBERTURA E RELAÇÃO COMPLETA DE TODOS OS PREMIADOS NO XVI DE CARROS ANTIGOS DE SANTOS

Veja a relação completa de todos os veículos e seus proprietários, que foram ganhadores das premiações no XVI encontro de carros antigos de Santos - SP - clique aqui para ver a cobertura completa e relação dos premiados

1° ENCONTRO DE VEICULOS ANTIGOS E HOT RODS DE PITANGA - PR



1° ENCONTRO DE VEICULOS ANTIGOS E HOT RODS.
HOT ROD, RAT ROD, CUSTOM,CLÁSSICOS,ORIGINAIS, MUSCLE CARS, LOW RIDERS, OLD SCHOOL, MOTOS CHOPPERS, EXPOSITORES, CLUBES CONVIDADOS.
DIAS 17 E 18 DE SETEMBRO DE 2011


DIA 17/09 (SABADO)
8:00h ABERTURA PARA RECEBIMENTO DOS VEICULOS PARA EXPOSIÇAO COM CAFE DA MANHA GRATIS PARA CONFIRMADOS ANTECIPADAMENTE..
9:00h ABERTURA PARA VISITAÇÃO.
19:00h FIM DAS VISITAÇÕES.

DIA 18/09 (DOMINGO)
8:00 ABERTURA PARA RECEBIMENTO DOS VEICULOS EM EXPOSIÇÃO E VISITAÇÃO COM CAFE DA MANHA GRATIS PARA CONFIRMADOS ANTECIPADAMENTE.
TROFEU para veiculo mais antigo,
maior distancia percorrida,
& hot Rod E original que mais chamar a atenção.
18:00 ENCERRAMENTO DO EVENTO.

ENTRADA AO PUBLICO R$5,00 POR PESSOA.
PRAÇA DE ALIMENTAÇAO NO LOCAL, COM ALMOÇO.

LOCAL:AMOPITAN – AO LADO DA MARTINS CLASSICOS E CUSTOM (MARTINS PNEUS)
PR 460 KM 82 - PARQUE INDUSTRIAL
PITANGA – PARANA
CONTATO: (42) 9943 4613
Organização: AMG PRODUÇÕES E EVENTOS
INSCRIÇÕES ATRAVEZ DO EMAIL:
Anderson.martins29@hotmail.com

estimativa de mais de 7 a 8 mil visitantes
e mais de 400 veiculos em exposiçao entre hot rods, custom, originais, classicos e raros.

*SEGUE CARTAZ DO EVENTO E FICHA DE INSCRIÇAO EM ANEXO.

DESDE JA NOSSO MUITO OBRIGADO E CONTAMOS COM TODOS DIAS 17 E 18 DE SETEMBRO EM PITANGA PARANA (ENTRE GUARAPUAVA, IVAIPORA, CAMPO MOURAO - CENTRO DO PARANA).

domingo, 4 de setembro de 2011

HEBMULLER - O FUSCA CONVERSÍVEL

Autores:
A indústria de carrocerias Hebmuller & Filhos foi fundada em 1889 com a construção de carruagens no início do século passado com adaptações de automóveis das marcas: Ford, Hanomag, Opel e Hansa-Lloyd com transformações em modelos conversíveis de dois e quatro lugares.
Após o fim da Segunda Grande Guerra a Volkswagen se recuperou primeiro com a gerência do Exercito Real Inglês e depois foi administrada por Heinz Nordhoff que teve uma visão futura de variações veículos Volkswagen e encomendou já no fim dos anos 40 a dois fabricantes de carrocerias modelos conversíveis. Coube a Karmann da cidade alemã de Osnabruck o projeto de um cabriolet (denominação francesa para o modelo conversível) de quatro lugares e a Hebmuller da cidade de Wuppertal, o projeto de um conversível dois mais dois, ou seja, os bancos traseiros pequenos, inspirados nos modelos fabricados para a Ford, Opel e outros, que eram produtos já adaptados em linha de montagem.
Em maio de 1948 a Volkswagen chegou ao número de produção de 25.000 veículos VW produzidos e era o momento certo de a Hebmuller apresentar os três primeiros protótipos em dezembro daquele ano. Os veículos foram fabricados com chassi de carros ano 1947, sendo dois de cor preta e o terceiro na cor cinza. A aparência ainda era rudimentar, o capô traseiro era inserida duas fileiras de aletas para auxiliar a ventilação do motor e a luz de placa ainda era a do Fusca 1947, a capota quando fechada formava um perfil traseiro muito baixo e deselegante, o quadro do para-brisa ainda não tinha o formato ideal e os reforços do chassi não eram suficientes para manter as portas alinhadas, devido às estradas alemãs estarem mal conservadas após o término da guerra.
Em abril de 1949, com um novo protótipo que rodou 10.000 kilometros para a aprovação em junho daquele ano, já com as devidas correções dos problemas dos três primeiros, ganharam o código VW de produto Type 14A e foram encomendados a princípio 2000 veículos. Estes modelos já possuíam o desenho definitivo da tampa traseira, reforços adicionais de carrocerias e um novo formato de quadro de para-brisa. Os veículos eram vendidos em concessionárias da marca VW a um custo inicial de DM7500. Devido à similaridade do capô traseiro com o dianteiro, dizia-se que não poderia saber se o veículo estava indo ou vindo!
Três cores básicas eram oferecidas: preta, branca e vermelha e também eram feitas opcionalmente combinações de cores estilo "saia e blusa" nos padrões: preto e vermelho; preto e amarelo ou vermelho e marfim, mas outras cores eram permitidas sob encomenda prévia.
Mas uma grande tragédia estava para acontecer: por volta das 14:00 horas do sábado dia 23 de julho de 1949, iniciou-se um incêndio na área de pintura que avançou para a linha de produção destruindo veículos e maquinários. Seria um acidente ou sabotagem? A resposta nunca saberemos...Com isto a produção foi paralisada por quatro semanas e iniciada aos poucos até que em maio de 1952, a Karmannn assumiu a produção com a transferência dos conversíveis Hebmuller para a sua empresa.
O último Hebmuller foi produzido em fevereiro de 1953 com a produção total de 696 veículos, embora haja veículos com o numero de carroceria 1400 705, 1400 710 e 1400 735 e a Hebmuller registre o total de 750 veículos, isto deixa margens de dúvidas quanto ao numero correto.
O que se pode afirmar que não mais de 100 VW Hebmullers sobreviveram e se tornaram verdadeiras obras de arte automobilísticas, sendo colecionados em vários países da Europa e exportados para os Estados Unidos e Japão atingindo preços elevados, vendidos a peso de ouro. Tornou-se o veículo mais belo dos exemplares de Volkswagen, e mesmo este veículo tem um derivação mais rara dos raros: "the rarest-of-rare”, que seria a cereja do bolo com um só modelo fabricado e denominado: Hebmuller coupê, que merece um história contada a parte!
As fotos de época mostram o protótipo e os primeiros Hebmuller. As outras fotos mostram a fabricação do modelo e também o reforço de carroceria necessário para evitar a torção e deformação das portas. As fotos das primeiras reuniões do clube Hebmuller Registre em San Diego Califórnia na década de 80 e um modelo Hebmuller original com lateral amarela que está na Inglaterra são do meu arquivo pessoal. Dario Faria
Os primeiros protótipos de 1948.



os primeiros protótipos de 1948




finalização da linha de montagem


pátio da indústria

o Heb club

dentro da indústria hebmuller


e o reforço estrutural na carroceria

exposição na Inglaterra




a produção total por ano




o Heb club

 E um "pedal-car" de fabricação Hebmüller. No detalhe o Mini-Heb fixado na traseira de um veículo Hebmüller.

EM BREVE MAIS FOTOS BEM RECENTES DO HEBMULLER NO BRASIL

A TRÁGICA HISTÓRIA DE ROBERTO LEE O PAI O ANTIGOMOBILISMO NO BRASIL

O que um dia foi a primeira grande coleção de carros antigos no Brasil tornou-se um sombrio cemitério de automóveis.Um dos 50 Tucker produzidos no mundo está escondido num canto escuro. Sem o motor, o painel original e o característico farol central dianteiro, que se movimentava na mesma direção do volante.
Em bom estado de conservação, um modelo desses pode valer meio milhão de dólares nos Estados Unidos. Mais adiante, outra pérola, em estado precário: um Packard 1939, modelo "One-Twenty". Grossas camadas de poeira cobrem o carro que um dia carregou o príncipe Phillip na passagem do membro da família real inglesa por São Paulo em 1968. Noutro canto, há um Cadillac Coupé 1950 cuja direção foi roubada.
O mesmo aconteceu com rodas, emblemas de radiador e até bancos inteiros de outros modelos raros. Esse cenário faz parte de uma história digna dos textos do escritor Nelson Rodrigues. Envolve um crime passional que causou comoção em São Paulo nos anos 70 e uma briga entre membros de uma das famílias mais tradicionais da cidade. Condenada pelas circunstâncias, a frota de 26 preciosidades cumpre pena num galpão de 850 metros quadrados, na cidade de Caçapava, em São Paulo.
Lá funcionou entre 1963 e 1992 o Museu Paulista de Antiguidades Mecânicas, espaço que em seus tempos áureos atraía gente de todo o Brasil para ver de perto carros antigos tão bem conservados que pareciam recém-saídos da fábrica. Hoje, o lugar não tem luz, seu teto está caindo aos pedaços e o mato cobre a entrada. Estão guardadas no galpão verdadeiras maravilhas. Numa avaliação conservadora realizada com ajuda do colecionador Sérgio Ribeiro, encontram-se por ali cerca de 250 000 dólares em veículos antigos, um patrimônio que agora pode ressuscitar. Um projeto de lei enviado à Câmara Municipal de Caçapava prevê que o acervo passe às mãos da prefeitura local, que se encarregaria de recuperar os carros e reabrir o espaço.
té o fim de agosto a idéia ainda não havia sido apreciada pelos vereadores. Se aprovada, ela vai ajudar a recuperar parte da fabulosa obra de Roberto Lee, o fundador do museu. O péssimo estado dos carros não representa uma missão impossível para os especialistas. "Os carros estão em bom estado, considerando o tempo que ficaram abandonados", afirma Eduardo Lambiasi, da R&E Restaurações, oficina paulista das mais respeitadas no país nessa área. Roberto Lee começou a colecionar carros antigos com a aquisição de um Fiat 1926. Tempos depois, numa garagem do bairro de Pinheiros, em São Paulo, encontrou um Hispano-Suiza 1911. Restaurado, ele se tornou uma das principais atrações de sua coleção.
Assim que farejava boas oportunidades, largava os negócios e saía à caça. Chegava a passar temporadas rodando o Brasil em busca de modelos. "Ele se tornou o primeiro no país a cultivar a imagem dos automóveis antigos", afirma o piloto Bird Clemente. Herdeiro de uma das famílias quatrocentonas de São Paulo, Lee mantinha um escritório de fusões de empresas e circulava pelas altas rodas da sociedade. Vivia cuidando da coleção de carros em Caçapava e, muitas vezes, saía direto de lá para jantar no restaurante do hotel Hilton, um dos mais elegantes de São Paulo à época, vestindo calça jeans e botas sujas de terra. A morte do colecionador, ocorrida na tarde de 16 de junho de 1975, rendeu meses de manchetes em jornais e revistas. Lee estava em seu escritório quando levou dois tiros de um Colt 32, disparados por sua amante, Elza Leoneti do Amaral. Ela contou à polícia que havia matado Roberto porque ele não queria assumir Andréia Cristina, sua filha de 1 ano. Ela seria fruto do romance entre os dois, iniciado por causa de um Cadillac preto, modelo Fleetwood, de 1954.
Ele adicionou o carro ao acervo do Museu de Caçapava em abril de 1973 e encantou-se com a loira que lhe vendeu o automóvel. O Cadillac havia pertencido ao primeiro marido de Elza, o empresário Anésio Augusto do Amaral Filho, que também morreu em circunstâncias trágicas. Seu corpo foi encontrado num dos aposentos da residência do casal, com uma bala na cabeça, em outubro de 1966. Nas mãos de Anésio estava o mesmo Colt 32 usado por Elza para matar Roberto Lee. A coincidência foi explorada pelos jornais de época, que tratavam a mulher como "a loira assassina" nas manchetes.
Ela foi condenada a oito anos de prisão pelo assassinato de Roberto Lee. O caso chamou atenção também por envolver sobrenomes graúdos da sociedade. Do patrimônio do pai de Roberto, o industrial Fernando Eduardo Lee, ganhou fama uma ilha no litoral paulista, pioneira no país na utilização de energia eólica e solar. Além de nascer em berço de ouro, Roberto casou-se em 1960 com Maria Pia Matarazzo, filha caçula do italiano Francisco Matarazzo, que construiu em São Paulo um dos maiores impérios industriais do país no começo do século passado.
Em valores atualizados, o Conde Matarazzo, como era conhecido, amealhou um patrimônio de 20 bilhões de dólares - o que o colocaria hoje na sexta posição da lista dos homens mais ricos do mundo da revista Forbes. Roberto e Maria Pia tiveram uma filha, Mariângela, mas o casamento durou pouco. Quando foi assassinado, o colecionador estava morando com sua segunda mulher, Yara Siqueira. Daí seu constrangimento em reconhecer na época uma filha com Elza Leoneti. O Museu fechou após a morte de Lee em função de uma briga familiar.
O pai do colecionador, Fernando, desentendeu-se com a neta Mariângela quando ela começou a vender parte da coleção do pai. Modelos como o Hispano-Suiza foram arrematados por aficionados do exterior. Mariângela dividiu o dinheiro com a outra herdeira, Andréia Cristina, que acabou sendo reconhecida como filha legítima de Roberto depois do assassinato. Em sua época áurea, o museu tinha cerca de 60 carros expostos. Depois do assassinato, alguns foram devolvidos aos antigos donos. Cerca de 20 modelos que estavam em nome de Roberto Lee entraram no espólio e acabaram negociados por Mariângela. Ficaram de fora da partilha os 26 carros que não estavam em nome do colecionador.
São os que permanecem até hoje em Caçapava. Num texto distribuído aos visitantes da coleção, Roberto comparava sua paixão pelas antiguidades a um vírus. "Uma vez inoculado o micróbio, adquirimos uma moléstia incurável e o resultado geralmente são mãos sujas, roupas rasgadas, garagem atulhada de cacarecos", escreveu ele. Lee passava finais de semana separando peças antigas e restaurando com as próprias mãos os modelos. Ele construiu uma rede de informantes, que o avisavam quando viam algum automóvel interessante.
Metódico, anotava em fichários as principais informações dos modelos, junto com um dossiê fotográfico sobre as condições dos modelos. Muitas vezes, enviava um "laranja" para iniciar as negociações. O advogado José Nestor Hopf executou esse papel no início dos anos 70. Ele também costumava viajar com Lee para garimpar as preciosidades fora do estado de São Paulo. A atividade tinha sempre um sabor de aventura. Uma das primeiras jornadas teve como destino Belo Horizonte, em busca de um Chevrolet 1923. O carro estava numa chácara, aparentemente abandonada. Eles resolveram entrar e acabaram tomando um grande susto. "O caseiro saiu atrás de nós disparando uma carabina", afirma Hopf. "Corremos como nunca."
Não foi a única fuga na carreira da dupla enquanto garimpavam carros preciosos. Noutra ocasião, escaparam de um policial à noite na Via Dutra. "Eu estava ao volante de um Cadillac e o Roberto roncava ao meu lado, quando fomos parados por um guarda", diz o advogado. "No instante em que despertou, o Lee tomou os documentos do policial e me mandou acelerar. Fugi com o coração na mão." Foi o próprio Hopf quem acabou indicando ao amigo o Cadillac 1954 que pertencia a Elza Leoneti do Amaral. "Vi o carro guardado numa garagem perto de casa e logo depois liguei ao Roberto, que me pediu para intermediar a negociação", diz. Como fazia em todas as ocasiões, Hopf registrou com sua máquina fotográfica o momento em que Lee tomava posse do carro. Mesmo em estado precário, o acervo deixado por Lee no Museu merece respeito.
Lá está o Alfa Romeo P3 Grand Prix, de 1932, um bólido capaz de atingir mais de 200 km/h e que, nas mãos da corredora francesa Helle Nice, causou em 1936 um acidente que matou oito pessoas numa corrida nas ruas de São Paulo. Depois do desastre, o carro ficou perdido durante algum tempo, até ser localizado pelo relações-públicas Alberto Reis nos fundos de um posto de gasolina em Ouro Preto, no interior de Minas Gerais. "O 'charutinho' vermelho estava em cima de um cavalete e, quando soube que o dono estava disposto a vender, liguei para ele", afirma Alberto. "No dia seguinte, Roberto já estava lá, colocando o Alfa em cima de uma carreta para trazê-lo a São Paulo."
Há apenas dois carros nacionais na frota que restou no Museu de Caçapava. Um deles é um Maverick 1973 amarelo, o primeiro modelo do tipo a rodar por aqui. O outro brasileiro também é uma raridade. Trata-se do Capeta, um protótipo de carro esportivo da Willys apresentado no Salão do Automóvel em 1964. Ele vinha equipado com um motor Aero-Willys de seis cilindros e seu design lembrava um pouco o Interlagos, o primeiro carro esportivo construído no Brasil. As grande paixões de Roberto Lee, os Packard e os Cadillac, estão bem representadas no Museu de Caçapava (veja ficha com o inventário do acervo ao lado).
O mais valioso deles é o Packard One-Twenty, que carregou o príncipe Phillip por São Paulo, tendo como chofer o próprio Roberto Lee. Durante um desfile, o membro da família real britânica espantou-se quando a primeira-dama do estado, Maria do Carmo, mulher do então governador Abreu Sodré, cumprimentou o motorista com um beijo no rosto. Diante do ar de surpresa de Phillip, Maria do Carmo explicou que ela e Lee eram velhos conhecidos.
Depois, na subida do Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo, o Packard enguiçou e teve que ser empurrado. Perdidas no Museu de Caçapava, essas máquinas fabulosas podem agora voltar à vida trazendo seu passado glorioso caso o local seja reaberto pela prefeitura de Caçapava, como era o desejo de Lee. Como se estivesse prevendo a tragédia que acabou com sua vida, nove dias antes de ser assassinado pela amante ele encaminhou uma espécie de carta-testamento ao pai. "Procure uma fórmula de manter o museu em funcionamento", anotou, a certa altura da correspondência. "E que ele sobreviva a nós todos".

Museu Roberto Lee - Tucker um carro a frente de seu tempo

Trata-se de um carro produzido em 1948 por Preston Tucker, um jovem que estava idealizando um sonho de sua vida toda, um carro seguro, barato e revolucionário.
Barato, pois seu objetivo era construir um carro que fosse acessível para a população em geral, seguro e revolucionário foi o primeiro carro a possuir cinto de segurança, seu para brisa era fixado com um material especial que quando o veiculo sofresse algum impacto ele saltava evitando assim possíveis ferimentos, seu painel era todo acolchoado para evitar ferimentos, possuía motor traseiro uma inovação para a época, e a característica mais notável dele um farol central conhecido como Cyclops Eye, um terceiro farol que movimentasse junto com o volante auxiliando nas curvas, sem contar suas linhas aerodinâmicas revolucionarias para a época.
Porém todas essas qualidades serviram para acabar como o sonho do jovem Preston Tucker, tudo começou quando os três grandes (Chrysler, Ford e GM) perceberam que o Tucker seria uma ameaça para seus negócios, era um carro muito afrente do que os que eles produziam na época. Deste momento em diante começou uma sabotagem contra Preston e sua empresa, infelizmente o poder financeiro ganhou a batalha e a Tucker Corporation foi fechada sendo produzido apenas cinqüenta e um tucker torpedo.
Dos cinqüenta e um Tucker produzidos quarenta e oito ainda sobrevivem sendo quarenta e cinco nos Estados Unidos, um no Museu Toyota no Japão, um na Inglaterra e o presente no MPAM, supostamente importado e utilizado pelo próprio Preston Tucker, que após o fechamento da Tucker Corporation veio ao Brasil com o objetivo de criar o primeiro carro nacional objetivo que foi levado até dezembro de 1956 quando veio a falecer por um câncer.
Para conhecer mais sobre o Tucker e Preston Tucker eu indico o filme Tucker – Um Homem e Seu Sonho, de Francis Ford Coppola, que retrata com certa fidelidade (exceto o final) a trajetória de Preston Tucker desde a idéia de criar um carro revolucionário ate a sua “derrota” nos tribunais americano.












UM FUSCA CHAMADO HORÁCIO Por Marcelo Monegato do Antigomóvel

Em 2009, recebi a missão de fazer uma página para o caderno de Automóveis do Diário do Grande ABC sobre o Fusca – definitivamente um dos carros mais simpáticos do mundo de todos os tempos. Fui atrás de alguns personagens que pudessem contar não somente a história do modelo, mas também suas histórias com o ‘besouro’. E para sorte deste jornalista que neste blog escreve, encontrei dois de uma só vez, Ervin Moretti e seu Fusca, o Horácio.



Desde a matéria que fizemos, Moretti passou a colaborar com o Diário indicando personagens e máquinas fantásticas para as matérias de carros antigos do jornal. Tornou-se um amigo. E por isso resolvi entrevistar novamente os dois, ele e o Horácio. Divirtam-se!


ANTIGOMÓVE - Como foi o primeiro encontro com o Horácio e como você o adquiriu?
ERVIN MORETTI - O Horácio era paixão antiga, pois pertencia a minha vizinha e secretamente sempre quis tê-lo. Ficava parado por semanas, e quando ele dava a partida, pegava imediatamente – sem falhas – e não a deixava na mão. Para se ter uma ideia de como era pouco usado, quando eu o comprei, a etiqueta da troca de óleo indicava que a troca havia sido feita a 2.000 km, mas há dois anos!

ANTIGOMÓVEL - Ele passou por algum processo de restauração? Quais?
ERVIN MORETTI - Eu morava numa pequena vila com 23 sobradinhos, mas todos sem garagem. O Horacio passou 31 anos ao tempo, sob sol e chuva, de maneira que tive que fazer a pintura, reparar diversos pontos de ferrugem e infiltração de água, bem como trocar a tapeçaria do teto e do assoalho. Os bancos são originais, com exceção de apoios de cabeça nos bancos dianteiros, que foram retirados, pois não eram da época. Estava com 91.000 km rodados, sem que o motor tenha sido mexido. Apenas fiz o ‘embuchamento’ do eixo da polia. Precisei procurar os frisos dos vidros, que haviam sido retirados, e os encontrei numa favela de São Bernardo, num fusca a venda. O carro estava caindo aos pedaços, mas os frisos estavam inteiros. Me diverti muito com a cara de espanto do dono do carro, quando lhe disse que queria apenas os frisos.


ANTIGOMÓVEL - Ele é seu companheiro do dia a dia ou apenas dos passeios de final de semana?
ERVIN MORETTI - Saio somente para os eventos, reuniões do Fusca Clube, ou para fazer as manutenções preventivas e trocas de óleo. Hoje ele fica numa garagem coberta, e toda vez que passeio com ele, conheço muitas pessoas que vem conversar comigo, por causa da sua cor chamativa e pelo estado de conservação. É um ótimo companheiro para se dar um "rolê", como se dizia antigamente.

ANTIGOMÓVEL - Conte um caso curioso que vocês dois passaram juntos?
ERVIN MORETTI - Certa ocasião, num evento na Faculdade Mauá, em São Caetano, uma menina de uns 8 anos, que passeva pela exposiação de mãos dadas com o pai, apontou para o Fusca e disse: " Olha pai, é o Horacio lá de Lindóia!", pois o reconheceu do evento que havíamos participado, em Águas de Lindóia. Fiquei lisonjeado, pois o Horacio marcou presença, entre tantos lindos e maravilhosos carros.

ANTIGOMÓVEL - A pergunta que não quer calar: Qual a razão de o Fusca se chamar 'Horácio'?
ERVIN MORETTI - Sempre fui fã do pequeno dinossauro do Mauricio de Souza, pela sua maneira gentil e atenciosa de tratar os aoutros, e por valorizar os laços de amizade. Na verdade me identifico com este personagem, pois tem o meu jeito de ser. Pela cor e carinho que minha esposa e eu desenvolvemos pelo fusquinha, começamos a chamá-lo de Horacio. No princípio era algo apenas entre nós e os amigos mais chegados, até que o Mario Pedro, outro grande amigo e também apaixonado por carros, encontrou um Horacio de pelúcia. A partir daí, sempre colocamos o Horacio de pelúcia sentado ao volante, em todos os eventos que vamos. Depois o Horacio ganhou um cartão de visita personalizado com foto na Estação da Luz, e vários amigos me chamam de Horácio, e outros até acham que também é o meu nome, que emprestei ao carrinho.

ANTIGOMÓVEL - Quais os cuidados que você te m com o Horácio?
ERVIN MORETTI - Tento deixá-lo sempre limpo e encerado, com as trocas de óleo no tempo correto, e não viajo para muito longe, indo apenas a eventos em cidades perto de São Paulo. Certa ocasião, após pegar uma chuva, um amigo disse que o Horacio precisva ser lavado e então passar um pano seco, para não ficar com nenhuma umidade. O nosso amigo foi imediatamente corrigido, pois o Horacio iria tomar um banho e depois enxugado com a sua toalha, que é especial para após os banhos. Será que estou exagerando?

ANTIGOMÓVEL - O Horácio tem preço?
ERVIN MORETTI - Nunca pensei nisso, pois para a Flavia e eu, seria como pensar em vender alguém da família. É apenas um carro, mas as oportunidades que ele nos deu, como viajar e conhecer tantas pessoas interessantes, nos leva a acreditar que se assim o fizessemos, perderíamos coias que nem podemois imaginar. Então ele continua conosco. A Flavia diz que ele seria o único ponto de briga, no caso de uma suposta separação.



DECLARAÇÃO DE AMOR – Algo que preciso salientar, é que o Horacio mostrou-me que eu poderia frequentar e ter amigos num ambiente que eu considerava elitista e fechado. Pois era o que me diziam pessoas que também tinham Fuscas ou outros carros nacionais, e sentiam-se discriminados por aqueles que tinham imponentes e raros automoveis. Na verdade, descobrimos que todos gostam de carros antigos, e prestam o devido reconhecimento aos que cuidam bem dos seus veículos, independente da marca, modelo, ano e país de origem.

Entrevista enviada por Ervin Moretti, retirada do site:
http://antigomovel.blogspot.com/2011/01/dia-nacional-do-fusca-por-ervin-moretti.html


ANTOGOMÓVEL – Ervin, de onde vem e desde quando você é apaixonado pelos carros antigos?
ERVIN MORETTI - Aos 7 anos ganhei um trenzinho elétrico, cujos trilhos foram fixados numa prancha de Eucatex, com ruas, casas e carrinhos. Apaixonei-me pelas miniaturas e fui ganhando outras, que ainda me acompanham ( hoje são cerca de 1.000). Eram do Interlagos, da Kombi, da Vemaguete e do Fusca, é claro. Sempre gostei de carros e cursei engenharia mecânica por causa deles. Estas lembranças ficaram comigo e a medida que entendia o funcionamento dos automóveis, comecei a dar valor aos pioneiros, pois conseguiam fazer coisas sem conhecimentos, com base na própria experiência e por gostarem de carros. Além disso, os carros antigos têm personalidade, ao contrario dos atuais que são todos parecidos.

ANTIGOMÓVEL - Qual foi o primeiro antigo que marcou sua vida?
ERVIN MORETTI - Um Oldsmobile dos pais de dois irmãos e grandes amigos até hoje que nos davam carona até a escola. Grande e silencioso, acomodava todo mundo (eles, eu e mimha irmã caçula). Mas o fusquinha 57 que meu pai comprou quando eu tinha seis anos também deixou marcas indeléveis em minha memória, e sinto saudades de ficar com minha irmã, dentro do bagageiro interno( chiqueirinho), acenado para os carros que vinham atrás de nós.