domingo, 4 de setembro de 2011

A TRÁGICA HISTÓRIA DE ROBERTO LEE O PAI O ANTIGOMOBILISMO NO BRASIL

O que um dia foi a primeira grande coleção de carros antigos no Brasil tornou-se um sombrio cemitério de automóveis.Um dos 50 Tucker produzidos no mundo está escondido num canto escuro. Sem o motor, o painel original e o característico farol central dianteiro, que se movimentava na mesma direção do volante.
Em bom estado de conservação, um modelo desses pode valer meio milhão de dólares nos Estados Unidos. Mais adiante, outra pérola, em estado precário: um Packard 1939, modelo "One-Twenty". Grossas camadas de poeira cobrem o carro que um dia carregou o príncipe Phillip na passagem do membro da família real inglesa por São Paulo em 1968. Noutro canto, há um Cadillac Coupé 1950 cuja direção foi roubada.
O mesmo aconteceu com rodas, emblemas de radiador e até bancos inteiros de outros modelos raros. Esse cenário faz parte de uma história digna dos textos do escritor Nelson Rodrigues. Envolve um crime passional que causou comoção em São Paulo nos anos 70 e uma briga entre membros de uma das famílias mais tradicionais da cidade. Condenada pelas circunstâncias, a frota de 26 preciosidades cumpre pena num galpão de 850 metros quadrados, na cidade de Caçapava, em São Paulo.
Lá funcionou entre 1963 e 1992 o Museu Paulista de Antiguidades Mecânicas, espaço que em seus tempos áureos atraía gente de todo o Brasil para ver de perto carros antigos tão bem conservados que pareciam recém-saídos da fábrica. Hoje, o lugar não tem luz, seu teto está caindo aos pedaços e o mato cobre a entrada. Estão guardadas no galpão verdadeiras maravilhas. Numa avaliação conservadora realizada com ajuda do colecionador Sérgio Ribeiro, encontram-se por ali cerca de 250 000 dólares em veículos antigos, um patrimônio que agora pode ressuscitar. Um projeto de lei enviado à Câmara Municipal de Caçapava prevê que o acervo passe às mãos da prefeitura local, que se encarregaria de recuperar os carros e reabrir o espaço.
té o fim de agosto a idéia ainda não havia sido apreciada pelos vereadores. Se aprovada, ela vai ajudar a recuperar parte da fabulosa obra de Roberto Lee, o fundador do museu. O péssimo estado dos carros não representa uma missão impossível para os especialistas. "Os carros estão em bom estado, considerando o tempo que ficaram abandonados", afirma Eduardo Lambiasi, da R&E Restaurações, oficina paulista das mais respeitadas no país nessa área. Roberto Lee começou a colecionar carros antigos com a aquisição de um Fiat 1926. Tempos depois, numa garagem do bairro de Pinheiros, em São Paulo, encontrou um Hispano-Suiza 1911. Restaurado, ele se tornou uma das principais atrações de sua coleção.
Assim que farejava boas oportunidades, largava os negócios e saía à caça. Chegava a passar temporadas rodando o Brasil em busca de modelos. "Ele se tornou o primeiro no país a cultivar a imagem dos automóveis antigos", afirma o piloto Bird Clemente. Herdeiro de uma das famílias quatrocentonas de São Paulo, Lee mantinha um escritório de fusões de empresas e circulava pelas altas rodas da sociedade. Vivia cuidando da coleção de carros em Caçapava e, muitas vezes, saía direto de lá para jantar no restaurante do hotel Hilton, um dos mais elegantes de São Paulo à época, vestindo calça jeans e botas sujas de terra. A morte do colecionador, ocorrida na tarde de 16 de junho de 1975, rendeu meses de manchetes em jornais e revistas. Lee estava em seu escritório quando levou dois tiros de um Colt 32, disparados por sua amante, Elza Leoneti do Amaral. Ela contou à polícia que havia matado Roberto porque ele não queria assumir Andréia Cristina, sua filha de 1 ano. Ela seria fruto do romance entre os dois, iniciado por causa de um Cadillac preto, modelo Fleetwood, de 1954.
Ele adicionou o carro ao acervo do Museu de Caçapava em abril de 1973 e encantou-se com a loira que lhe vendeu o automóvel. O Cadillac havia pertencido ao primeiro marido de Elza, o empresário Anésio Augusto do Amaral Filho, que também morreu em circunstâncias trágicas. Seu corpo foi encontrado num dos aposentos da residência do casal, com uma bala na cabeça, em outubro de 1966. Nas mãos de Anésio estava o mesmo Colt 32 usado por Elza para matar Roberto Lee. A coincidência foi explorada pelos jornais de época, que tratavam a mulher como "a loira assassina" nas manchetes.
Ela foi condenada a oito anos de prisão pelo assassinato de Roberto Lee. O caso chamou atenção também por envolver sobrenomes graúdos da sociedade. Do patrimônio do pai de Roberto, o industrial Fernando Eduardo Lee, ganhou fama uma ilha no litoral paulista, pioneira no país na utilização de energia eólica e solar. Além de nascer em berço de ouro, Roberto casou-se em 1960 com Maria Pia Matarazzo, filha caçula do italiano Francisco Matarazzo, que construiu em São Paulo um dos maiores impérios industriais do país no começo do século passado.
Em valores atualizados, o Conde Matarazzo, como era conhecido, amealhou um patrimônio de 20 bilhões de dólares - o que o colocaria hoje na sexta posição da lista dos homens mais ricos do mundo da revista Forbes. Roberto e Maria Pia tiveram uma filha, Mariângela, mas o casamento durou pouco. Quando foi assassinado, o colecionador estava morando com sua segunda mulher, Yara Siqueira. Daí seu constrangimento em reconhecer na época uma filha com Elza Leoneti. O Museu fechou após a morte de Lee em função de uma briga familiar.
O pai do colecionador, Fernando, desentendeu-se com a neta Mariângela quando ela começou a vender parte da coleção do pai. Modelos como o Hispano-Suiza foram arrematados por aficionados do exterior. Mariângela dividiu o dinheiro com a outra herdeira, Andréia Cristina, que acabou sendo reconhecida como filha legítima de Roberto depois do assassinato. Em sua época áurea, o museu tinha cerca de 60 carros expostos. Depois do assassinato, alguns foram devolvidos aos antigos donos. Cerca de 20 modelos que estavam em nome de Roberto Lee entraram no espólio e acabaram negociados por Mariângela. Ficaram de fora da partilha os 26 carros que não estavam em nome do colecionador.
São os que permanecem até hoje em Caçapava. Num texto distribuído aos visitantes da coleção, Roberto comparava sua paixão pelas antiguidades a um vírus. "Uma vez inoculado o micróbio, adquirimos uma moléstia incurável e o resultado geralmente são mãos sujas, roupas rasgadas, garagem atulhada de cacarecos", escreveu ele. Lee passava finais de semana separando peças antigas e restaurando com as próprias mãos os modelos. Ele construiu uma rede de informantes, que o avisavam quando viam algum automóvel interessante.
Metódico, anotava em fichários as principais informações dos modelos, junto com um dossiê fotográfico sobre as condições dos modelos. Muitas vezes, enviava um "laranja" para iniciar as negociações. O advogado José Nestor Hopf executou esse papel no início dos anos 70. Ele também costumava viajar com Lee para garimpar as preciosidades fora do estado de São Paulo. A atividade tinha sempre um sabor de aventura. Uma das primeiras jornadas teve como destino Belo Horizonte, em busca de um Chevrolet 1923. O carro estava numa chácara, aparentemente abandonada. Eles resolveram entrar e acabaram tomando um grande susto. "O caseiro saiu atrás de nós disparando uma carabina", afirma Hopf. "Corremos como nunca."
Não foi a única fuga na carreira da dupla enquanto garimpavam carros preciosos. Noutra ocasião, escaparam de um policial à noite na Via Dutra. "Eu estava ao volante de um Cadillac e o Roberto roncava ao meu lado, quando fomos parados por um guarda", diz o advogado. "No instante em que despertou, o Lee tomou os documentos do policial e me mandou acelerar. Fugi com o coração na mão." Foi o próprio Hopf quem acabou indicando ao amigo o Cadillac 1954 que pertencia a Elza Leoneti do Amaral. "Vi o carro guardado numa garagem perto de casa e logo depois liguei ao Roberto, que me pediu para intermediar a negociação", diz. Como fazia em todas as ocasiões, Hopf registrou com sua máquina fotográfica o momento em que Lee tomava posse do carro. Mesmo em estado precário, o acervo deixado por Lee no Museu merece respeito.
Lá está o Alfa Romeo P3 Grand Prix, de 1932, um bólido capaz de atingir mais de 200 km/h e que, nas mãos da corredora francesa Helle Nice, causou em 1936 um acidente que matou oito pessoas numa corrida nas ruas de São Paulo. Depois do desastre, o carro ficou perdido durante algum tempo, até ser localizado pelo relações-públicas Alberto Reis nos fundos de um posto de gasolina em Ouro Preto, no interior de Minas Gerais. "O 'charutinho' vermelho estava em cima de um cavalete e, quando soube que o dono estava disposto a vender, liguei para ele", afirma Alberto. "No dia seguinte, Roberto já estava lá, colocando o Alfa em cima de uma carreta para trazê-lo a São Paulo."
Há apenas dois carros nacionais na frota que restou no Museu de Caçapava. Um deles é um Maverick 1973 amarelo, o primeiro modelo do tipo a rodar por aqui. O outro brasileiro também é uma raridade. Trata-se do Capeta, um protótipo de carro esportivo da Willys apresentado no Salão do Automóvel em 1964. Ele vinha equipado com um motor Aero-Willys de seis cilindros e seu design lembrava um pouco o Interlagos, o primeiro carro esportivo construído no Brasil. As grande paixões de Roberto Lee, os Packard e os Cadillac, estão bem representadas no Museu de Caçapava (veja ficha com o inventário do acervo ao lado).
O mais valioso deles é o Packard One-Twenty, que carregou o príncipe Phillip por São Paulo, tendo como chofer o próprio Roberto Lee. Durante um desfile, o membro da família real britânica espantou-se quando a primeira-dama do estado, Maria do Carmo, mulher do então governador Abreu Sodré, cumprimentou o motorista com um beijo no rosto. Diante do ar de surpresa de Phillip, Maria do Carmo explicou que ela e Lee eram velhos conhecidos.
Depois, na subida do Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo, o Packard enguiçou e teve que ser empurrado. Perdidas no Museu de Caçapava, essas máquinas fabulosas podem agora voltar à vida trazendo seu passado glorioso caso o local seja reaberto pela prefeitura de Caçapava, como era o desejo de Lee. Como se estivesse prevendo a tragédia que acabou com sua vida, nove dias antes de ser assassinado pela amante ele encaminhou uma espécie de carta-testamento ao pai. "Procure uma fórmula de manter o museu em funcionamento", anotou, a certa altura da correspondência. "E que ele sobreviva a nós todos".

Museu Roberto Lee - Tucker um carro a frente de seu tempo

Trata-se de um carro produzido em 1948 por Preston Tucker, um jovem que estava idealizando um sonho de sua vida toda, um carro seguro, barato e revolucionário.
Barato, pois seu objetivo era construir um carro que fosse acessível para a população em geral, seguro e revolucionário foi o primeiro carro a possuir cinto de segurança, seu para brisa era fixado com um material especial que quando o veiculo sofresse algum impacto ele saltava evitando assim possíveis ferimentos, seu painel era todo acolchoado para evitar ferimentos, possuía motor traseiro uma inovação para a época, e a característica mais notável dele um farol central conhecido como Cyclops Eye, um terceiro farol que movimentasse junto com o volante auxiliando nas curvas, sem contar suas linhas aerodinâmicas revolucionarias para a época.
Porém todas essas qualidades serviram para acabar como o sonho do jovem Preston Tucker, tudo começou quando os três grandes (Chrysler, Ford e GM) perceberam que o Tucker seria uma ameaça para seus negócios, era um carro muito afrente do que os que eles produziam na época. Deste momento em diante começou uma sabotagem contra Preston e sua empresa, infelizmente o poder financeiro ganhou a batalha e a Tucker Corporation foi fechada sendo produzido apenas cinqüenta e um tucker torpedo.
Dos cinqüenta e um Tucker produzidos quarenta e oito ainda sobrevivem sendo quarenta e cinco nos Estados Unidos, um no Museu Toyota no Japão, um na Inglaterra e o presente no MPAM, supostamente importado e utilizado pelo próprio Preston Tucker, que após o fechamento da Tucker Corporation veio ao Brasil com o objetivo de criar o primeiro carro nacional objetivo que foi levado até dezembro de 1956 quando veio a falecer por um câncer.
Para conhecer mais sobre o Tucker e Preston Tucker eu indico o filme Tucker – Um Homem e Seu Sonho, de Francis Ford Coppola, que retrata com certa fidelidade (exceto o final) a trajetória de Preston Tucker desde a idéia de criar um carro revolucionário ate a sua “derrota” nos tribunais americano.












UM FUSCA CHAMADO HORÁCIO Por Marcelo Monegato do Antigomóvel

Em 2009, recebi a missão de fazer uma página para o caderno de Automóveis do Diário do Grande ABC sobre o Fusca – definitivamente um dos carros mais simpáticos do mundo de todos os tempos. Fui atrás de alguns personagens que pudessem contar não somente a história do modelo, mas também suas histórias com o ‘besouro’. E para sorte deste jornalista que neste blog escreve, encontrei dois de uma só vez, Ervin Moretti e seu Fusca, o Horácio.



Desde a matéria que fizemos, Moretti passou a colaborar com o Diário indicando personagens e máquinas fantásticas para as matérias de carros antigos do jornal. Tornou-se um amigo. E por isso resolvi entrevistar novamente os dois, ele e o Horácio. Divirtam-se!


ANTIGOMÓVE - Como foi o primeiro encontro com o Horácio e como você o adquiriu?
ERVIN MORETTI - O Horácio era paixão antiga, pois pertencia a minha vizinha e secretamente sempre quis tê-lo. Ficava parado por semanas, e quando ele dava a partida, pegava imediatamente – sem falhas – e não a deixava na mão. Para se ter uma ideia de como era pouco usado, quando eu o comprei, a etiqueta da troca de óleo indicava que a troca havia sido feita a 2.000 km, mas há dois anos!

ANTIGOMÓVEL - Ele passou por algum processo de restauração? Quais?
ERVIN MORETTI - Eu morava numa pequena vila com 23 sobradinhos, mas todos sem garagem. O Horacio passou 31 anos ao tempo, sob sol e chuva, de maneira que tive que fazer a pintura, reparar diversos pontos de ferrugem e infiltração de água, bem como trocar a tapeçaria do teto e do assoalho. Os bancos são originais, com exceção de apoios de cabeça nos bancos dianteiros, que foram retirados, pois não eram da época. Estava com 91.000 km rodados, sem que o motor tenha sido mexido. Apenas fiz o ‘embuchamento’ do eixo da polia. Precisei procurar os frisos dos vidros, que haviam sido retirados, e os encontrei numa favela de São Bernardo, num fusca a venda. O carro estava caindo aos pedaços, mas os frisos estavam inteiros. Me diverti muito com a cara de espanto do dono do carro, quando lhe disse que queria apenas os frisos.


ANTIGOMÓVEL - Ele é seu companheiro do dia a dia ou apenas dos passeios de final de semana?
ERVIN MORETTI - Saio somente para os eventos, reuniões do Fusca Clube, ou para fazer as manutenções preventivas e trocas de óleo. Hoje ele fica numa garagem coberta, e toda vez que passeio com ele, conheço muitas pessoas que vem conversar comigo, por causa da sua cor chamativa e pelo estado de conservação. É um ótimo companheiro para se dar um "rolê", como se dizia antigamente.

ANTIGOMÓVEL - Conte um caso curioso que vocês dois passaram juntos?
ERVIN MORETTI - Certa ocasião, num evento na Faculdade Mauá, em São Caetano, uma menina de uns 8 anos, que passeva pela exposiação de mãos dadas com o pai, apontou para o Fusca e disse: " Olha pai, é o Horacio lá de Lindóia!", pois o reconheceu do evento que havíamos participado, em Águas de Lindóia. Fiquei lisonjeado, pois o Horacio marcou presença, entre tantos lindos e maravilhosos carros.

ANTIGOMÓVEL - A pergunta que não quer calar: Qual a razão de o Fusca se chamar 'Horácio'?
ERVIN MORETTI - Sempre fui fã do pequeno dinossauro do Mauricio de Souza, pela sua maneira gentil e atenciosa de tratar os aoutros, e por valorizar os laços de amizade. Na verdade me identifico com este personagem, pois tem o meu jeito de ser. Pela cor e carinho que minha esposa e eu desenvolvemos pelo fusquinha, começamos a chamá-lo de Horacio. No princípio era algo apenas entre nós e os amigos mais chegados, até que o Mario Pedro, outro grande amigo e também apaixonado por carros, encontrou um Horacio de pelúcia. A partir daí, sempre colocamos o Horacio de pelúcia sentado ao volante, em todos os eventos que vamos. Depois o Horacio ganhou um cartão de visita personalizado com foto na Estação da Luz, e vários amigos me chamam de Horácio, e outros até acham que também é o meu nome, que emprestei ao carrinho.

ANTIGOMÓVEL - Quais os cuidados que você te m com o Horácio?
ERVIN MORETTI - Tento deixá-lo sempre limpo e encerado, com as trocas de óleo no tempo correto, e não viajo para muito longe, indo apenas a eventos em cidades perto de São Paulo. Certa ocasião, após pegar uma chuva, um amigo disse que o Horacio precisva ser lavado e então passar um pano seco, para não ficar com nenhuma umidade. O nosso amigo foi imediatamente corrigido, pois o Horacio iria tomar um banho e depois enxugado com a sua toalha, que é especial para após os banhos. Será que estou exagerando?

ANTIGOMÓVEL - O Horácio tem preço?
ERVIN MORETTI - Nunca pensei nisso, pois para a Flavia e eu, seria como pensar em vender alguém da família. É apenas um carro, mas as oportunidades que ele nos deu, como viajar e conhecer tantas pessoas interessantes, nos leva a acreditar que se assim o fizessemos, perderíamos coias que nem podemois imaginar. Então ele continua conosco. A Flavia diz que ele seria o único ponto de briga, no caso de uma suposta separação.



DECLARAÇÃO DE AMOR – Algo que preciso salientar, é que o Horacio mostrou-me que eu poderia frequentar e ter amigos num ambiente que eu considerava elitista e fechado. Pois era o que me diziam pessoas que também tinham Fuscas ou outros carros nacionais, e sentiam-se discriminados por aqueles que tinham imponentes e raros automoveis. Na verdade, descobrimos que todos gostam de carros antigos, e prestam o devido reconhecimento aos que cuidam bem dos seus veículos, independente da marca, modelo, ano e país de origem.

Entrevista enviada por Ervin Moretti, retirada do site:
http://antigomovel.blogspot.com/2011/01/dia-nacional-do-fusca-por-ervin-moretti.html


ANTOGOMÓVEL – Ervin, de onde vem e desde quando você é apaixonado pelos carros antigos?
ERVIN MORETTI - Aos 7 anos ganhei um trenzinho elétrico, cujos trilhos foram fixados numa prancha de Eucatex, com ruas, casas e carrinhos. Apaixonei-me pelas miniaturas e fui ganhando outras, que ainda me acompanham ( hoje são cerca de 1.000). Eram do Interlagos, da Kombi, da Vemaguete e do Fusca, é claro. Sempre gostei de carros e cursei engenharia mecânica por causa deles. Estas lembranças ficaram comigo e a medida que entendia o funcionamento dos automóveis, comecei a dar valor aos pioneiros, pois conseguiam fazer coisas sem conhecimentos, com base na própria experiência e por gostarem de carros. Além disso, os carros antigos têm personalidade, ao contrario dos atuais que são todos parecidos.

ANTIGOMÓVEL - Qual foi o primeiro antigo que marcou sua vida?
ERVIN MORETTI - Um Oldsmobile dos pais de dois irmãos e grandes amigos até hoje que nos davam carona até a escola. Grande e silencioso, acomodava todo mundo (eles, eu e mimha irmã caçula). Mas o fusquinha 57 que meu pai comprou quando eu tinha seis anos também deixou marcas indeléveis em minha memória, e sinto saudades de ficar com minha irmã, dentro do bagageiro interno( chiqueirinho), acenado para os carros que vinham atrás de nós.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

FOTOS DO FUSCA DO NOSSO AMIGO BRUNO LENK

Vejam fotos desse impecável besouro do interior do Estado:


 Parabéns ao amigo Bruno Lenk pelo poçante.

REPORTAGEM ESPECIAL SOBRE O XVI ENCONTRO DE AUTOMÓVEIS ANTIGOS DE SANTOS

Segue abaixo link para reportagem especial do site AUTO CLASSIC sobre o XVI encontro de Automóveis Antigos de Santos, promovido pelo Clube do Automovel Antigo de Santos.
O envio da matéria teve a colaboração do amigo, Ervin Horacio Moretti.


http://www.autoclassic.com.br/autoclassic2/?p=12959

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Antigomobilismo ou Amigomobilismo? por Ervin Moretti*

Já faz certo tempo que venho matutando sobre este tema, pois as relações entre as pessoas sempre foi um assunto que me fascinou.
Também escrevo por não concordar com uma frase que ouvi de um colecionador, de que a gente entrava no meio do antigomobilismo por paixão e ficava por vaidade.
Vamos às minhas razões:
Há 5 anos, quando comprei o meu Fusquinha “Horácio” (este carrinho já daria uma outra história), entrei em um mundo que jamais teria imaginado. Apesar de gostar de carros desde a minha infância, nunca pensei que existisse um mundo tão fascinante quanto o dos automóveis antigos.
Tinha apenas conhecimento de que no Estádio do Pacaembu, acontecia um encontro de carros antigos, mas nunca tive a oportunidade de ir até lá, talvez por falta de tempo ou de um interesse mais forte. Na verdade, pensava que seria um círculo fechado de pessoas com um bom poder aquisitivo, exibindo os seus carros de coleção, cuidadosamente preservados, e que um curioso como eu não seria bem vindo.
Quando criei coragem e levei o Fusquinha a um evento em Piracicaba, deparei-me com um ambiente que conquistou-me de imediato. Bonitos e reluzentes carros, sendo que nacionais e importados dividiam harmoniosamente o mesmo espaço, mostraram-me que os antigomobilistas (nem conhecia este termo) lá estavam para compartilhar o mesmo gosto por carros antigos, independente da marca, década ou país de origem.
Foi fácil perceber que o antigomobilismo era na verdade um "amigomobilismo", se assim podemos chamar. São os colecionadores e os admiradores de veículos antigos, que como eu, fazem dos encontros de carros um evento social, onde nascem amizades e se preservam as já conquistadas.
Os organizadores destes encontros esmeram-se em elaborar uma programação que tanto agrade aos colecionadores (exposição, barracas de peças e vendas de carros) como também às esposas e famílias (almoços, jantares, passeios e bailes). E não se esquecem das barracas de antiguidades, que são a alegria de todos os participantes e também do público visitante.
Os visitantes merecem uma menção a parte: vem de todos os lugares, perto ou distante, conhecedores ou curiosos, adultos e crianças e são eles que dão aos eventos o brilho e o sucesso necessários para permitir uma nova edição, que é aguardada ansiosamente, assim que o encontro termina.
Da mesma maneira, os clubes de carros antigos promovem sempre reuniões entre seus associados, para uma pizza, almoço ou jantar, na sede própria ou em um local geralmente pré determinado (com os carros antigos ou não), buscando a integração dos sócios, dos amigos e das famílias. Não é difícil ver pais e filhos que curtem a mesma paixão pelos automóveis antigos (têm “ferrugem” nas veias).
A maioria destes clubes tem preferência por uma marca ou modelo, e então são profundos conhecedores dos automóveis que mais aprecia. Mas, grande parte destes colecionadores gostam também de algum outro modelo, e não raro são sócios de vários Clubes, comprovando que a busca por amizades direciona as atividades do antigomobilismo.
Geralmente os clubes promovem encontros mensais, que por vezes se tornam poucos, e então temos reuniões semanais, que sempre contam com um bom número de sócios com suas famílias.
E quem ainda não ouviu falar do Encontro Mensal na Estação da Luz, sempre no 1º domingo de cada mês? A extraordinária arquitetura deste centenário edifício parece convidar a todos a levarem suas preciosidades automobilísticas, como que prestando uma homenagem a São Paulo. A gigantesca capital, por onde circulam tantos carros, numa correria desvairada, mas que nestes dias volta ao passado e rende seu tributo a estes colecionadores e apaixonados pelo carro antigo.
Por todos estes motivos, discordo daquela frase que ouvi, e espero também tê-lo convencido de que tenho razão.
Assim sendo, termino com um chamado: seja você também um amigomobilista, e prestigie os eventos e os clubes de carros antigos com a sua presença. Não importa qual é o seu veículo (na verdade você nem precisa ter um), pois você verá que sempre será tratado com carinho e respeito, e que os antigomobilistas são "amigomobilistas" por excelência.


*Ervin Moretti - Engenheiro Mecânico e Administrador de Empresas. Conselheiro do Fusca Clube do Brasil. Recebeu o Prêmio do Espírito do Antigomobilista, no IV ABC OLD CAR. Recebeu o Título de Amigo do CAAS – Clube do Automovel Antigo de Santos. Proprietário do Fusca “Horácio”, que se tornou um símbolo de amizade e companheirismo dentro do círculo dos carros antigos.


 

MAIS FOTOS DO XVI ENCONTRO DE CARROS ANTIGOS DO CAAS

Mais fotos do XVI encontro do Clube do Automovel Antigo de Santos: